Revisão da Serie A 2015/16, parte 3

Stefano Pioli, ex-treinador da Lazio (Getty Images/Zimbio)
Stefano Pioli, ex-treinador da Lazio (Getty Images/Zimbio)

Terceira parte do especial da Serie A 2015/16 volta pra mais decepções sobre os times que ficaram no entediante meio da tabela.

Lazio

Não poderia haver pior fim de temporada para a Lazio. Sem qualquer objetivo no final da temporada, eliminada de todas as competições e goleada na última rodada em casa, na despedida do ídolo Miroslav Klose, que ainda conseguiu marcar mais um gol. Muito pior considerando como terminou 2014/15, em alta com o terceiro lugar, disputando a segunda posição com a rival Roma até a penúltima rodada, quando perdeu o dérbi.

Eliminada nos playoffs da Liga dos Campeões, esteve bem na Liga Europa até perder para o Sparta Praga nas oitavas de final. Na Serie A, esteve muito irregular, com resultados esquisitos, a exemplo das goleadas para Chievo e Napoli, e vitórias apertadas, vencendo e perdendo muitos jogos, sem emendar uma sequência.

Nona colocada na 19ª rodada, não melhorou muito sua situação desde então, terminando na oitava posição, com 54 pontos, 15 vitórias, nove empates e 14 derrotas. Esboçou alguma reação quando Simone Inzaghi assumiu o comando técnico, mas já era tarde demais para alcançar Milan e Sassuolo e brigar pela hipotética vaga europeia.

Stefano Pioli tem o que reclamar. Para competir por mais e manter a pegada da última temporada, reforços seriam necessários, e eles foram bastantes tímidos, e comprometeram quando os titulares não estavam bem ou precisavam descansar. Stefan de Vrij, grande destaque da defesa, jogou apenas duas partidas no ano, enquanto Lucas Biglia, Senad Lulic, Stefan Radu, Ricardo Kishna, Dusan Basta e Filip Djordjevic também tiveram problemas físicos.

Somado a isso, a queda técnica de Antonio Candreva e Felipe Anderson, os principais destaques ofensivos do sistema de Pioli, que tiveram temporada apática e muito abaixo do que fizeram um ano atrás. Não muito diferente de Marco Parolo, peça importante no meio-campo laziale. Os garotos Keita Baldé e Danilo Cataldi acabaram não tendo muita sequência, e o senegalês só apareceu com Inzaghi. Apenas Biglia manteve o nível e fez outra grande temporada, um dos melhores meio-campistas do campeonato.

Chievo

Mais uma temporada e o Chievo permanece firme e forte na Serie A. Dessa vez teve ano muito mais tranquilo, graças a um bom início de campeonato, que eventualmente perdeu o ritmo, mas voltou a recuperar entre março e abril para garantir outra salvezza.

O time de Rolando Maran esteve muito calmo no campeonato, mesmo quando emendou séries sem vencer. Com todo seu pragmatismo, a defesa esteve sólida como sempre, aproveitando a experiência de um quinteto que muitas vezes teve trintões – e quase quarentões.

Dessa vez se destacaram Valter Birsa e Riccardo Meggiorini, e nem a saída de Alberto Paloschi se tornou um grande problema, com até Sergio Pellissier surgindo para garantir vitórias aos gialloblù.

Empoli

Quem diria que o Empoli teria vida fácil depois das saídas de Maurizio Sarri, Mirko Valdifiori e Daniele Rugani. Os toscanos fizeram até campanha melhor sob o comando de Marco Giampaolo, que chegou desacreditado e testando coisas novas na pré-temporada. Mas foi mudando sua estratégia e aproveitando o trabalho de Sarri que fez o time crescer.

O maior destaque, sem dúvidas, foi a forma como o time jogou (aqui). Aliou a posse de bola com um bom ritmo, muito agressivo quando atacava o último terço. Defensivamente, combinou a marcação por pressão forte dos tempos de Sarri com defesa posicional bem organizada e compacta, inclusive levando menos gols que no ano passado, mesmo sem Rugani, Lorenzo Tonelli lesionado algumas vezes e Federico Barba negociado no inverno.

Se Manuel Pucciarelli não manteve a forma de antes, Riccardo Saponara seguiu importante no último passe, sendo um dos líderes de assistências do campeonato, enquanto Massimo Maccarone continuou marcando gols. Somado a isso, os jovens Piotr Zielinski e Leandro Paredes, sem dúvidas as estrelas da temporada azzurra.

O polonês evoluiu muito seu jogo, se tornando um meio-campista mais completo, com ótimos movimentos e incursões pela direita, entrando bastante na área. Já o argentino cresceu como regista, mais maduro, apesar de algumas falhas posicionais e de atitude enquanto organizador do time, dando outro ritmo ao meio-campo em relação a Vecino e Valdifiori, os antigos titulares.

Genoa

Aconteça o que acontecer, Gian Piero Gasperini entregará um Genoa competitivo em algum momento da Serie A. A verdade é que o clube de Enrico Preziosi é uma bagunça sem precedentes, o que atrapalha o crescimento dos grifone. Na última temporada, deveriam ter se classificado para a Liga Europa, mas não obtiveram a licença da Uefa por problemas financeiros, um pouco como o Parma há dois anos.

E o que poderia acontecer em Gênova era justamente o time cair muito em 2015/16. O susto não foi pouco quando com metade do campeonato na 17ª posição, com 10 derrotas em 19 rodadas. Como acontece sempre com Preziosi, a equipe passou por nova reformulação no inverno e aos poucos conseguiu engrenar, se afastar da zona de rebaixamento e estagnar no meio da tabela.

Ao final das 38 rodadas, os 19 pontos, cinco vitórias, quatro empates e 10 derrotas viraram 46 pontos, 13 vitórias, sete empates e 18 derrotas, recuperação boa o bastante para assegurar o 11º lugar. Nem mesmo a lesão de Mattia Perin afetou o desempenho, e Eugenio Lammana aproveitou sua oportunidade. Suso, Ezequiel Muñoz e Luca Rigoni jogaram praticamente metade do campeonato, e foram peças importantes no sistema de Gasperini.

Mais importantes ainda foram Leonardo Pavoletti, Cristian Ansaldi, Tomás Rincón, Armando Izzo e Diego Laxalt, titulares durante toda a campanha – os dois primeiros tiveram problemas físicos, mas sempre que estavam em campo foram os destaques. Não à toa, Pavoletti e Izzo acabam a temporada convocados para seção de treinos em Coverciano na preparação italiana pra Euro 2016, assim como Laxalt se tornou um selecionável uruguaio.

No 3-4-3 ou 3-5-2, o time de Gasperini tem sua marca registrada, concentrando seus ataques pelas laterais, criando muitas triangulações para tirar o foco do centro e eventualmente procurar o centroavante ou um meio-campista que se desmarca para completar cruzamentos. Assim que Pavoletti faz muitos gols, dominando a área adversária e reduzindo os zagueiros a praticamente nada. Assim também Rigoni e Rincón fizeram muitos gols, enquanto Laxalt e Suso sempre entram em diagonal para aproveitar rebotes.

Pavoletti e seus gols à parte, Ansaldi foi a estrela grifone. O argentino ruivo fez dois campeonatos: o primeiro jogando como zagueiro pela esquerda (10 jogos), surpreendentemente se saindo muito bem, interpretando muito bem o sistema gasperiano. O segundo como ala-direito (13 jogos), mostrando sua ambidestria, cortando pra dentro com a direita ou centrando vários cruzamentos de direita para Pavoletti.

Torino

Particularmente, a principal desilusão da temporada. O Torino fez um mercado fantástico, buscando jovens talentosos e reforçando a equipe depois de ter superado bem um ano sem Ciro Immobile e Alessio Cerci. Mais importante, o trio Nikola Maksimovic, Kamil Glik e Emiliano Moretti foi mantido.

Nada disso garantiu um time sólido o bastante para brigar por vaga europeia, como era a expectativa. Os jovens, sendo jovens, foram irregulares, alguns não conseguiu se afirmar, enquanto outros demoraram para aparecer. E a defesa não esteve bem, com Maksimovic lesionado por muito tempo, Glik e Moretti abaixo da média e Daniele Padelli em ano tenebroso.

Immobile foi contratado no inverno e assumiu papel importante, tornando o time competitivo e dando confiança a Andrea Belotti, que desde então se tornou o artilheiro do time e segundo maior goleador de 2016 no campeonato. Immobile acabou lesionado e a irregularidade impediu uma reação na temporada.

Atalanta

A Atalanta de Reja teve um bom início de campeonato, e indicava que teria um ano bem tranquilo depois do drama do último ano. Até o Natal, estava a dez pontos da zona de rebaixamento e ocupava a nona posição, com sete vitórias, três empates e sete derrotas em 17 rodadas. Mas ainda em dezembro começou uma série de 14 jogos sem vencer, com oito derrotas.

A vantagem para o Frosinone, o mesmo que estava a dez pontos de distância, caiu para apenas quatro. Nas últimas nove rodadas, porém, o time reagiu. Especialmente a partir dos veteranos Papù Gómez, Alessandro Diamanti, Maurício Pinilla, Marco Borriello, Luca Cigarini e Boukary Dramé. Nesse período, quatro vitórias, três empates e duas derrotas.

Como bônus, a 13ª posição e sete pontos a frente do Carpi. Os veteranos decidiram, mas Marco Sportiello fez outra boa temporada, garantindo a Dea segura muitas vezes e pré-convocado para a Euro. Uma das melhores contratações da temporada, Marten de Roon chegou como desconhecido e terminou o campeonato como um dos melhores no seu setor. O holandês se mostrou um ótimo mediocentro, com atributos de um regista de qualidade, muita força física e competência defensiva. O ponto alto dos nerazzurri em 2015/16.

Bologna

De volta à Serie A, o Bologna prometeu chegar bem na elite e fazer bom campeonato. Joey Saputo investiu bastante no time, com contratações interessantes e inteligentes, mas o time de Delio Rossi não embalou. Com 10 rodadas, os felsinei eram 18º, com apenas duas vitórias e oito derrotas. Depois da derrota para a Inter, o treinador caiu e Roberto Donadoni assumiu.

E com o ex-Parma o time decolou. Donadoni não fez exatamente algo extraordinário, aproveitando muito do trabalho de Rossi, com uma defesa posicional muito boa, defendendo em bloco baixo e ataques diretos muito efetivos. Em 18 rodadas, oito vitórias, seis empates e quatro derrotas, que deixaram os rossoblù a onze da zona europeia e dez da zona de rebaixamento.

O ano não terminou melhor porque o time caiu de rendimento. 36 pontos na 28ª rodada era uma marca segura e passaram perder muitos pontos desde então. Foram nove jogos sem vencer, incluindo cinco derrotas, até a vitória sobre o Genoa na 34ª rodada, quando confirmaram a salvezza. O que também não exclui mais um bom trabalho de Donadoni.

O treinador, contudo, não foi a grande estrela. Os jovens Adam Masina e Amadou Diawara sim, se destacando entre os veteranos Emanuele Giaccherini, Daniele Gastaldello, Antonio Mirante, Domenico Maietta, Luca Rossettini e Franco Brienza.

Masina, marroquino que cresceu na Itália, adotado por família bolonhesa, inclusive selecionável para a Azzurra, por nunca ter sido convocado para a seleção de Marrocos, já tinha se destacado na Serie B, e manteve o nível na elite. Muito bom defensivamente, alto e forte, cresceu ofensivamente, com bons apoios e cruzamentos.

Já Diawara, se não foi a revelação do campeonato – talvez por causa de Gianluigi Donnarumma -, foi um dos principais jovens que fizeram sua primeira temporada na Serie A. O guineano, como Masina, cresceu na Itália e surgiu no San Marino. Com apenas 17 anos, foi para o Bologna jogar no time Primavera, mas acabou promovido precocemente por Rossi.

Com Donadoni, se afirmou no time titular e espantou a todos como um grande mediocentro. Muito físico, se destacou pelo trabalho sem a bola, liderando a marcação por pressão rossoblù e esteve sempre muito bem postado na frente da defesa posicionalmente, lendo bem o jogo adversário e iniciando vários contra-ataques. Peça fundamental no sistema.

Sampdoria

Outra grande decepção da temporada, a Sampdoria começou 2015/16 com o pensamento de crescer e chegar novamente na Europa. O clube de Massimo Ferrero herdou a vaga do rival Genoa na Liga Europa, mas caiu precocemente para o Voivodina na terceira fase preliminar e marcou a passagem de Walter Zenga, substituto de Sinisa Mihajlovic.

Mesmo com boa campanha na Serie A, com quatro vitórias, quatro empates e quatro derrotas, e potencial para crescer quando o time ia bem com Luís Muriel e Éder no ataque, além de Roberto Soriano e Fernando no meio-campo, a eliminação na Liga Europa acabou pesando e levando na demissão do ex-goleiro após a 12ª rodada.

Na data Fifa de novembro, Vincenzo Montella foi contratado na esperança de fazer os blucerchiati reconquistarem terreno no campeonato e mostrar um futebol mais ofensivo, confiando no passado do treinador na Fiorentina. Ferrero calculou mal, porque o elenco doriano não era compatível com as ideias de Montella.

Ao invés de melhorar, a Sampdoria piorou, e muito. Nos primeiros 14 jogos, nove derrotas, incluindo oito rodadas sem vencer. O elenco até mudou no inverno, com Dodô, Ricardo Álvarez, Fabio Quagliarella, Andrea Ranocchia e entre outros, mas pesou a saída de Éder e a inabilidade do time combinar com Montella, jogando sem confiança e organização.

Na 26ª rodada, a Sampdoria tinha apenas dois pontos de vantagem da zona de rebaixamento, mas eventualmente o time conseguiu algumas vitórias no ritmo de Fernando e Emiliano Viviano, os grandes destaques na temporada, garantindo a salvezza a quatro rodadas do fim do campeonato, perdendo mais três jogos até as férias, acumulando 18 em uma campanha com 10 vitórias e empates, com apenas 40 pontos.

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