Revisão da Serie A 2015/16, parte 4

Stefano Sorrentino, capitão e goleiro do Palermo (Getty Images/Zimbio)
Stefano Sorrentino, capitão e goleiro do Palermo (Getty Images/Zimbio)

Última parte da revisão da Serie A 2015/16, dessa vez sobre os desesperados que lutaram contra o rebaixamento. Três morreram na praia, dois muito bravos, superando as expectativas.

Palermo

Ano sem precedentes na era Zamparini. O proprietário rosanero é reconhecido pela fama de não dar muito tempo aos treinadores e empregar vários durante a temporada. Mas em 2015/16 passou dos limites, depois de duas temporadas confiando em Giuseppe Iachini, que reorganizou a equipe, levou de volta para a Serie A e teve boa campanha há um ano.

Maurizio prometeu seguir confiando no treinador marquesão, que, porém, acabou demitido após a 12ª rodada, em 10 de novembro, durante a última data Fifa do ano. 13º colocado, 14 pontos, quatro vitórias, dois empates e seis derrotas: uma campanha à altura da expectativa. O motivo, segundo o presidente, é que o time não jogava da forma como queria, que não deveriam ter três zagueiros e dois alas.

A forma exata que Iachini sempre montou seus times, inclusive o Palermo, desde 2013. Davide Ballardini foi contratado e tentou coisas novas, como a defesa a quatro, mas teve problemas pra encaixar o time, acostumado às táticas do antecessor, e o desempenho piorou. Duas rodadas após a virada do ano, no fim do primeiro turno, o que acontece: Ballardini demitido. Em sete rodadas, duas vitórias, um empate e quatro derrotas.

A direção do clube siciliana então buscou algo diferente, um estrangeiro: Guillermo Barros Schelotto. Seus olheiros, que sempre estão de olho nos prospectos argentinos, devem ter recomendado o treinador do Lanús.

Mas Schelotto era tão diferente, que não tinha a licença para treinar na Europa. Uefa e FIGC e não reconheceram seus cursos e o argentino não pôde ficar na beira do campo. Ainda assim continuou, com o assistente Fabio Viviani na figura do treinador.

Foram dois meses assim, até que o próprio Schelotto cansou, talvez percebendo a falta de perspectiva que teria no Renzo Barbera, ou já contactado pelo Boca Juniors, onde foi ídolo como jogador e acabou assumindo como treinador um mês depois de sair da Itália. Nessa época, outro assistente tinha assumido a figura de treinador, Giovanni Tedesco, não mais Viviani, ainda na comissão técnica.

Claro que Tedesco também durou pouco, e o treinador do sub-19 se tornou o treinador do time principal Giovanni Bosi, com Tedesco como seu auxiliar. Como não poderia deixar de ser diferente, Zamparini sentiu que devia mudar e recolocou Bosi no time Primavera e adivinha quem chamou? Iachini, ora bolas.

O ex-treinador resistiu de início, mas eventualmente retornou, em março, na primeira data Fifa de 2016. Nessa época, o desempenho piorou consideravelmente e o time ficou ainda mais próximo da zona de rebaixamento, a apenas um ponto. Em 28 rodadas, 27 pontos, sete vitórias, seis empates e 15 derrotas.

Depois de um mês, Zamparini voltou à tona. Seguiu pressionando Iachini, que, obviamente, escalava o time à sua maneira, como fazia nos treinamentos. O presidente reclamou tanto, que dessa vez o próprio treinador se demitiu.

Não restavam muitas opções, mas eventualmente a diretoria chegou em Walter Novellino, desempregado após passagem pelo Modena na Serie B. Uma escolha pra lá de contestável, e que se confirmou duvidosa nas partidas seguintes. Foram apenas quatro em um mês, com um empate e três derrotas, a última decisiva para nova mudança: 3 a 0 para a Lazio em um inflamado Renzo Barbera.

Se já foi difícil chegar até Novellino, imagina substituí-lo. E em uma semana, com uma resistência ainda maior que a de Iachini, Ballardini retornou. O treinador saiu brigado com o elenco, especialmente Stefano Sorrentino, capitão do time, que falou da falta de comando do então ex-treinador e que nas últimas partidas o time seguia suas próprias intenções, sem atentar ao trabalho de Ballardini.

Para o bem comum, todos pediram desculpas, o treinador assumiu as rédeas, os jogadores seguiram e a salvezza veio. Não sem drama, claro. Na zona de rebaixamento desde a 31ª rodada, os aquile emendaram cinco partidas invictos, incluindo três vitórias, a última sobre o Verona, na rodada final, com gol da vitória aos 60 minutos e pressão no final.

Tantos parágrafos para explicar o clube de Zamparini, mas não poderia esquecer de Franco Vázquez. Apesar de toda a confusão, o ítalo-argentino, estranhamente ignorado por Antonio Conte na pré-convocação para a Euro depois de um ano sendo chamado regularmente, teve bom ano, não tanto quanto tinha Paulo Dybala ao seu lado, mas ainda bom, e fundamental por ter mantido o time competitivo.

Interessante notar o crescimento dos veteranos Enzo Maresca e Alberto Gilardino na reta final, fazendo valer a experiência e qualidade que um dia tiveram com maior regularidade, inclusive marcando os gols da última vitória juntamente com Vázquez. Sorrentino mais uma vez esteve entre os melhores goleiros do campeonato.

Udinese

Outro ano decepcionante da Udinese. Andrea Stramaccioni saiu, e Stefano Colantuono entrou. Na confusão que se tornou a administração da família Pozzo, que dessa vez se preocupou com o Watford, pela primeira vez na Premier League inglesa sob o comando italiano, o clube friulano não recebeu tantos investimentos e mais uma vez teve um elenco ao mesmo tempo inchado, mas sem opções de qualidade.

A novidade da temporada era o estádio reformado, especialmente após a inauguração em dezembro. Mas nem isso aproximou os torcedores, que nunca tiveram a cultura de frequentar o Friuli e as belas arquibancadas coloridas seguiram vazias até o final do campeonato.

Falta de empolgação também transmitida pelos jogadores. Durante o ano inteiro, a Udinese pareceu jogar sem vontade, sem qualquer ambição, nem mesmo para garantir a salvezza, e por muito pouco não esteve próximo do rebaixamento, a um ponto e posição do Carpi no final da 38ª rodada.

A saída de Colantuono para a entrada de Luigi De Canio também pouco mudou o clima de férias em Údine. Difícil até destacar alguém, se não pelo lado negativo, como a péssima temporada de Danilo e Thomas Heurtaux, antes pontos fortes da defesa, a decadência de Antonio Di Natale no seu último ano, a queda de Silvan Widmer e a falta de regularidade de Bruno Fernandes.

Carpi

Chegar na última rodada ainda lutando pela permanência no seu primeiro ano na Serie A era uma ideia difícil de se fazer no início da temporada. Mesmo com todo o investimento em medalhões e outras apostas, o Carpi simplesmente não tinha estrutura para se manter na elite do futebol italiano. Muito bravamente, e aproveitando anos ruins de quem deveria ter tido ano mais tranquilo, o clube emiliano quase escapou.

De início, seguiu o roteiro previsto, e nem mesmo a mudança no comando técnico mudou isso, fazendo a segunda pior campanha por boa parte do ano. Só não era pior do que o desastroso Hellas Verona, entregue ao rebaixamento já no Natal. Em 17 rodadas, ou seja, até a última partida de 2015, tinha 10 pontos e ocupava a 19ª posição, com apenas duas vitórias, quatro empates e 11 derrotas.

Na virada do ano, porém, Fabrizio Castori, de volta ao comando depois de rápida passagem de Giuseppe Sannino, falou com a diretoria e abriu mão de boa parte dos contratados badalados do verão, confiando nos jogadores que acompanhavam o clube desde a Serie B, que ganhou em 2014/15 – alguns, inclusive, desde a Serie D.

E o que se viu a partir de então foi uma recuperação fantástica. Dos 10 pontos em 17 partidas, terminou com 38, sete vitórias, empates e derrotas a mais. Para se ter uma ideia, nas 21 últimas rodadas, o Carpi teve a 10ª melhor campanha, com desempenho semelhante aos de Inter, Milan e Fiorentina. Não garantiu a salvezza, mas foi uma grande amostra de força de vontade.

Frosinone

Força de vontade que também não faltou ao Frosinone, a equipe com menor média de público no campeonato. Se o elenco era de nível duvidoso até para a Serie B, a atitude compensou muitas coisas, assim como o trabalho de Roberto Stallone se destacou. O treinador acabou saindo no final da temporada e pode fazer falta ao clube do Lácio, inclusive impactando numa queda mais dura na volta à segunda divisão.

Fez dois turnos semelhantes, a terceira pior campanha no primeiro, com 15 pontos, quatro vitórias, três empates e 12 derrotas, e a segunda pior no segundo, com 16 pontos, quatro vitórias, quatro empates e 11 derrotas. Campanha normal de um rebaixado, e acima das expectativas, uma vez que o time do Matusa chegou a especular a salvezza, caindo na reta final com cinco jogos sem vencer.

Poderia ter sido muito pior, e não foi graças à organização do time de Stallone, que contou com desempenhos regulares de Daniel Pavlovic, Daniel Ciofani, Federico Dionisi, Leonardo Blanchard, Luca Paganini e Oliver Kragl, mantendo o time competitivo por mais tempo que o esperado.

Verona

Na volta à Serie A depois de mais uma década, o Verona viveu de tudo. No primeiro ano, surpreendeu a todos com ótimo início, salvezza garantida antecipadamente, proximidade da zona europeia e na primeira parte da tabela. No segundo ano, teve Luca Toni como um dos artilheiros do campeonato e ficou na tranquilidade do meio da tabela. No terceiro, porém, o desastre.

Confiando em Toni para manter sua cota de gols e que Giampaolo Pazzini seria um bom parceiro para o veterano centroavante, o Verona sucumbiu com sua pior campanha na Serie A e uma das piores na fórmula contemporânea do campeonato, com 20 equipes e três pontos por vitória.

Terminou o primeiro turno com míseros oito pontos, sem nenhuma vitória, oito empates e 11 derrotas, ocupando a última posição desde a 14ª rodada, sem jamais voltar a subir. A primeira vitória só aconteceu na 23ª rodada, contra a Atalanta.

O time esboçou reação com Luigi Delneri, substituto de Andrea Mandorlini, treinador do clube desde a terceira divisão, e por muito tempo ainda conseguiu se manter vivo, rebaixado definitivamente apenas na 35ª rodada.

Os maiores feitos, justamente, talvez tenha sido tirar ponto de Inter, Milan e Juventus. Contra os nerazzurri, empate por 3 a 3 em casa, empate e vitória contra os rossoneri e nova vitória no Bentegodi sobre os campeões bianconeri, acabando com a invencibilidade de 26 jogos da Velha Senhora.

Mas nem tudo foi pesadelo, e os jovens Pierluigi Gollini, Artur Ionita, Federico Viviani, Pawel Wszolek e Mohamed Fares tiveram bom ano, mantendo o time vivo por mais tempo que o esperado. Uma pena para Toni, que teve seu último ano como profissional sofrendo lesões, longe dos 22 gols de 2014/15, mas ajudando a atrapalhar a festa juventina.

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