Os melhores da Serie A 2015/16

Paulo Dybala e Massimiliano Allegri (La Gazzetta dello Sport)
Paulo Dybala e Massimiliano Allegri (La Gazzetta dello Sport)

Fazer uma seleção não é das coisas mais fáceis. Você precisa revisar bastante, superar preconceitos e analisar todo o contexto a fim de chegar no objetivo, certo, Rob?

Brincadeira, claro. Apenas uma desculpa pra usar uma cena de Alta Fidelidade. Mas o objetivo dessa vez é a seleção dos melhores da Serie A 2015/16.

Antes de escolher os onze jogadores, alguns critérios: por questão de vícios e tiques, acredito que uma seleção deve fazer sentido, não um amontoado de atacantes e meias em uma formação irreal. Lógico que nunca irão jogar, mas na minha mente precisa ter coesão.

E claro que o futebol não se limita a isso, mas criamos esses termos, posições, funções, etc, para ter organização, que não sejam “onze jogadores correndo atrás de uma bola”. Portanto, um goleiro, dois laterais, dois zagueiros, quatro meio-campistas* e dois atacantes. Imagino que seja a forma mais equilibrada e “justa”.

*Normalmente escolheria três meio-campistas e três atacantes, mas dois caras foram tão espetaculares no ataque, que não teriam outro parceiro à altura, e também fugiria do meu critério de ter uma formação coesa. E como os meio-campistas foram muito bem, seria justo uma vaga a mais.

Para chegar nesses onze, precisam ter jogado pelo menos 70% do campeonato naquela função e/ou posicionamento, ou seja, mais de 25 partidas como lateral-esquerdo, meia-atacante, ponta-direito ou seja lá como for. Faltarão alguns jogadores que foram muito bem no campeonato, e eles serão lembrados aqui, mesmo que não encaixem nos critérios.

Goleiro: Samir Handanovic (Inter)

O esloveno sofreu mais gols que Gianluigi Buffon, teve o mesmo número de clean sheets que Pepe Reina, não fez tantas defesas quanto Emiliano Viviano, mas reuniu bastante de todos esses aspectos e foi tão decisivo para a Inter quanto os outros goleiros. Uma boa razão pro time de Mancini ter sido competitivo e líder do campeonato por algumas rodadas.

Na terra do catenaccio, o que não falta é goleiro se destacando. Além dos de Juventus, Napoli e Sampdoria, menção honrosa a Marco Sportiello (Atalanta), Mattia Perin (Genoa), Andrea Consigli (Sassuolo), Vid Belec (Carpi), aos veteranos Antonio Mirante (Bologna) e Stefano Sorrentino (Palermo). Sem esquecer dos garotos Gianluigi Donnarumma (Milan) e Pierluigi Gollini (Verona), fantásticos no seu primeiro ano como titulares na Serie A, com apenas 17 e 21 anos, respectivamente.

Lateral-direito: Sime Vrsaljko (Sassuolo)

Com um Stephan Lichtsteiner não tão brilhante, apesar de regular como sempre, o homem de confiança de Allegri na lateral direita, faltou alguém que realmente tenha se destacado para ser uma decisão unânime. Vrsaljko foi o mais completo, em reverência ao lateral suíço, crescendo muito defensivamente e sempre com ótimos apoios.

Menção honrosa a Bruno Peres (Torino), Elseid Hysaj (Napoli) e Ignazio Abate (Milan). Cristian Ansaldi, já elogiado na parte do Genoa, Alessandro Florenzi, amadurecido ao herdar a faixa de Totti e De Rossi na Roma, e Juan Cuadrado, muito produtivo e peça interessante na Juventus, não cumpriram o critério dos 70%, apesar do bom desempenho.

Zagueiros: Miranda (Inter) e Kalidou Koulibaly (Napoli)

Na terra do catenaccio, o que também não falta são zagueiros. E vários se destacaram no ano, tornando muito complicado selecionar apenas dois. A lista de menção honrosa será generosa e triste a cada nome deixado de fora. Mais estranho ainda é não ter um representante da melhor defesa do campeonato, mas o trio Barzagli, Bonucci e Chiellini, por mais sólidos, técnicos e regulares que tenham sido, não se destacaram tanto individualmente quanto os dois abaixo.

Miranda foi líder da que era a melhor defesa do campeonato até pouco mais do segundo turno, quando a Inter começou a vacilar e nem o brasileiro ou Handanovic foram fantásticos o suficiente para impedir a desorganização do time, ainda sim se destacando pela postura, posicionamento, liderança e técnica enquanto defensor.

Já Koulibaly foi uma grata surpresa. O senegalês sempre se destacou pela força, mas com Sarri foi mais do que isso, conseguindo regularidade e usando melhor o físico para se impor na sua área e também com a bola. No sistema do Napoli, assumiu papel importante na saída e circulação da bola, se conectando várias vezes com Jorginho e Hamsík. Foi quase um Bonucci para o time de Sarri, e seduziu um desinformado Didier Deschamps, que demorou muito para prestar atenção.

Menção honora a Andrea Barzagli e Leonardo Bonucci (Juventus), Francesco Acerbi (Sassuolo), Jeison Murillo (Inter), Lorenzo Tonelli (Empoli), Kostas Manolas (Roma), Simone Romagnoli (Carpi), Davide Astori e Gonzalo Rodríguez (Fiorentina), Alex (Milan), Daniele Gastaldello (Bologna) e Armando Izzo (Genoa). Também Giorgio Chiellini (Juventus), Ezequiel Muñoz (Genoa), Nikola Maksimovic (Torino) e  Domenico Maietta (Bologna), não considerados pelo critério dos 70%.

Lateral-esquerdo: Marcos Alonso (Fiorentina)

Se a lateral direita não teve tantos destaques, a esquerda foi tão disputada quanto goleiro e zagueiros. Alonso ficou lesionado por alguns momentos, mas sempre manteve um bom nível nas 26 partidas como titular. O espanhol não foi apenas bom defensivamente ou ofensivamente, e se destacou no sistema de Sousa de todas as formas, operando por todo o lado esquerdo, de área a área, peça chave na hibridez da formação viola.

Menção honrosa a Adam Masina (Bologna), Faouzi Ghoulam (Napoli), Patrice Evra (Juventus), Lucas Digne (Roma), Diego Laxalt (Genoa), Federico Peluso (Sassuolo), Mário Rui (Empoli), Luca Antonelli (Milan), Boukary Dramé (Atalanta) e Daniel Pavlovic (Frosinone). Não considerados pelo critério dos 70%, Alex Sandro (Juventus), Senad Lulic (Lazio) e Alex Telles (Inter).

Meios-campistas: Miralem Pjanic (Roma), Jorginho (Napoli), Marek Hamsík (Napoli) e Paul Pogba (Juventus)

Tive que encontrar uma brecha nos critérios para encaixar o trio Pjanic, Hamsík e Pogba. Seria heresia limitá-los à menção honrosa. Mas não foi fácil encontrar o quarto elemento, especialmente nesta temporada, em que Milan Badelj, Lucas Biglia, Jorginho, Allan e Radja Nainggolan foram ótimos. Também não teria vergonha de encaixar Marten De Roon ou Amadou Diawara, os melhores mediocentros do campeonato.

Primeiro, Pjanic. Cada ano mais maduro desde que chegou em Roma, o bósnio evoluiu muito seu jogo nesta temporada, especialmente após a chegada de Spalletti, assim como todo o time giallorosso, que passou a jogar o melhor futebol da Itália nos últimos meses. Se tornou um playmaker total, assim como Hamsík no Napoli de Sarri, transitando por todo o campo, tocando na bola centenas de vezes a cada partida, executando a saída de bola e chegando no último terço para o passe final ou infiltração na área. Não à toa, pela primeira vez teve dois dígitos em gols e assistências, também se destacando nas cobranças de falta, algo que sempre dominou, mas não tinha tantas oportunidades com Totti.

Segundo, Hamsík. Como já explicitado acima e na parte do Napoli, o eslovaco cresceu absurdamente no sistema de Sarri, não sendo mais aquele todocampista agressivo de Mazzarri ou o meia-atacante à Gerrard de Benítez. Adquiriu maior peso no jogo da equipe napolitana, sendo a peça chave pra ligar todos os setores, funcionando como um facilitador como sempre foi e também o criador ao lado do organizador Jorginho, fazendo conexões muito ricas com Koulibaly, Ghoulam, Insigne e Higuaín, além das milhares de inversões pra Hysaj e Callejón, que desmontavam o sistema adversário. Sem contar que esteve em todas as 38 rodadas e jogou 3245 minutos de 3420 possíveis. Onipresente.

Terceiro, Pogba. O francês começou a temporada um pouco lento, como a Juventus de Allegri, que precisou de um tempo para se reconstruir e recuperar a confiança. O novo camisa 10 não parecia sentir a responsabilidade que tinha com novo contrato e as ausências de Tévez e Pirlo, era ele o grande craque em Turim dessa vez. Mas aos poucos foi entendo isso e não apenas recuperou seu nível, como se tornou um meio-campista mais completo e um jogador também mais maduro. Acabou a temporada com seu recorde em gols e assistências, e foi mais do que apenas chutes longos, dribles, fintas e jogadas artísticas. Se completou com um novo Marchisio, mais pausado e líder, e Khedira, o trabalhador de movimentos fantásticos.

Por fim, Jorginho. Poderia escolher qualquer um entre Badelj, Biglia, Allan, Nainggolan, De Roon e Diawara que teria a mente em paz, mas entra o ítalo-brasileiro pela regularidade, o regista mais constante do campeonato. O jogador da Serie A que mais tocou na bola, mais deu passes certos e que mais ganhou a posse no meio-campo, recuperando e interceptando várias bolas com o eficaz pressing napolitano. No sistema de Sarri, importante para atrair a marcação adversária e deixar Hamsík, Insigne e Callejón com espaços para atacar, além de estar sempre ditando o ritmo do jogo, levando a bola para todos os lados do campo.

Menção honrosa, além dos já citados, a Giacomo Bonaventura e Juraj Kucka (Milan), Marcelo Brozovic (Inter), Piotr Zielinski, Leandro Paredes e Riccardo Saponara (Empoli), Borja Valero e Matías Vecino (Fiorentina), Fernando (Sampdoria), Tomás Rincón (Genoa), Francesco Magnanelli e Alfred Duncan (Sassuolo). Claudio Marchisio e Sami Khedira (Juventus), Diego Perotti (Roma) e Federico Viviani (Verona) não considerados pelo critério dos 70%.

Atacantes: Paulo Dybala (Juventus) e Gonzalo Higuaín (Napoli)

Se não me engano, na temporada passada escolhi Tévez e Icardi no ataque da seleção, e talvez até o Dybala tenha entrado. Mais uma vez o ataque é argentino, o que faz todo o sentido. A Argentina não tem apenas uma geração brilhante de grandes atacantes, como está sempre formando gente de muita qualidade no setor.

Tenho pra mim que os atacantes mais inteligentes da Inter sejam justamente argentinos, ou pelo menos aqueles que tive a oportunidade de acompanhar a cada jogo. Que fique claro, inteligentes no sentido de entender o jogo, interpretá-lo, ler os espaços, com os movimentos mais eficientes e espertos, dominar os zagueiros e a área adversária, os gestos mais bonitos e técnicos.

Gente como Diego Milito, Hernán Crespo, Julio Cruz e Rodrigo Palacio. Quem sabe Mauro Icardi entre nessa lista um dia. E olha que nas últimas duas décadas passaram pela Pinetina caras como Ronaldo, Zlatan Ibrahimovic, Samuel Eto’o, Christian Vieri, Adriano e Iván Zamorano.

Deveria estar falando isso no ESPN FC, não aqui. Voltando à seleção, Dybala. Por muito pouco Dybala não chegou nos dois dígitos em assistências e nos 20 gols, o que não diminui em absolutamente nada sua temporada. Muitos achavam que Paulo teria dificuldades no primeiro ano de Juventus, até considerando o tempo que levou para se tornar grande no Palermo, mas a resposta foi imediata, ainda que os minutos tenham sido poucos no início da temporada.

O camisa 21 respondeu a confiança da titularidade após os primeiros meses com gols e assistências decisivos, decretando muitas das 25 vitórias na arrancada espetacular do time de Allegri. E no sistema allegriano, o atacante ganhou peso graças à liberdade dada para rodar pelo campo, sempre encontrando uma forma e espaços entre as linhas para fazer o time pisar no último terço e chegar à área rival com vantagem. Isso taticamente. Dybala foi muito mais do que isso. Foi o craque do campeonato, mesmo com a média absurda de Higuaín, por todos os gestos técnicos fantásticos que tem, a forma de bater na bola, as fintas e dribles, os gols de chutes colocados, com a bola parada ou não, com ângulo ou não.

Sem precedentes. De fato. O maior artilheiro em uma temporada na história da Serie A, em pleno 2016. É absolutamente enorme o feito de Higuaín, ainda mais pelo Napoli, sem os favorecimentos e atenção dos gigantes. Superou as marcas já grandes de Antonio Angelillo (Inter, 33 gols em 1958/59) e Gunnar Nordahl (Milan, 35 gols em 1949/50 e 34 em 1950/51). Em 35 partidas, 36 gols, sendo o último, o do recorde, feito de bicicleta, diante da sua torcida que em praticamente todos os jogos no San Paolo entoou com o narrador o vibrante “GON-ZA-LO… HI-GUA-ÍN”. Em praticamente todos, porque apenas três vezes não marcou na sua casa.

O homem gol do sistema de Sarri, mas mais do que isso. Atraía todas as atenções para deixar os companheiros Callejón e Insigne em melhores condições para também marcarem, o principal foco dos passes diretos, enfiadas de bolas e cruzamentos, aproveitando tamanho foco para chutar centenas de vezes. Na verdade, o jogador que mais chutou no campeonato, 182 vezes, também o que mais acertou o gol, 83 vezes, e logicamente o que mais fez gols.

Menção honrosa a Lorenzo Insigne e José Callejón (Napoli), Mauro Icardi e Ivan Perisic (Inter), Mohamed Salah (Roma), Franco Vázquez (Palermo), Carlos Bacca (Milan), Josip Ilicic (Fiorentina), Andrea Belotti (Torino), Mario Mandzukic (Juventus), Massimo Maccarone (Empoli) e Emanuele Giaccherini (Bologna). Não considerados pelo critério dos 70%, Leonardo Pavoletti (Genoa), Stephan El Shaarawy (Roma), Éder (Sampdoria), Federico Bernardeschi e Nikola Kalinic (Fiorentina)

Treinador: Massimiliano Allegri (Juventus)

Napoli de Sarri, Roma de Spalletti e Fiorentina de Sousa foram grandes times durante a temporada, os dois últimos por apenas um turno, o primeiro em boa parte do campeonato. Mas nenhum desses ficou com o título. A Juventus de Allegri superou o início ruim para uma arrancada espetacular em novembro, emendando 26 partidas invictas, com 25 vitórias, perdendo apenas na penúltima rodada, voltando a vencer na festa da 38ª partida.

O time bianconero não teve o domínio e agressividade do Napoli, as belas jogadas e tabelas de Roma e Fiorentina, mas teve o controle que nenhum desses conseguiu manter durante as partidas grandes e decisivas. Não precisou ter a maior posse de bola ou o maior número de chutes a gol para vencer, mostrando sua força mental e equilíbrio para ganhar o pentacampeonato. Os dois jogadores na seleção, menos que os quatro napolitanos, apenas exemplificam a força de um grupo que domina o futebol italiano, mesmo com grandes adversários.

Menção honrosa a Maurizio Sarri (Napoli), Eusebio Di Francesco (Sassuolo) e Marco Giampaolo (Empoli). Pela irregularidade dos times ou por não terem trabalhado durante todo o ano, não foram considerados Luciano Spalletti (Roma), Roberto Mancini (Inter), Paulo Sousa (Fiorentina), Sinisa Mihajlovic (Milan), Gian Piero Gasperini (Genoa), Roberto Donadoni (Bologna) e Fabrizio Castori (Carpi).

Serie A XI 2015/16 - Football tactics and formations
Ou então imaginando o time em campo dessa forma
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